Série Black Belt - trajetória do professor Hélio Costa

Mar 2020

Não é fácil escrever um texto sobre a trajetória do professor Hélio Costa. Foram enormes as batalhas que ele travou para obter a faixa preta e conquistar a posição de sucesso que possui hoje, e veremos que essa palavra tem um significado mais profundo, de modo que, um relato banal não suportaria a riqueza de sua história. 


Desde que começou a treinar jiu jitsu com 11 anos soube que era professor por vocação e que se superaria para poder viver da arte. E essa é uma de suas características que o tornam um artista marcial: abnegação e superação. Sucesso e superação são palavras utilizadas a qualquer hora, principalmente, por quem deseja nos encantar com algum produto ou serviço. Vendedores nos apresentam as fórmulas para o sucesso, e todos os dias lemos frases de superação que pouco contam sobre a experiência de vida real de alguém. Hélio é professor, empresário e vive pela prosperidade de sua família. Considera-se uma pessoa de sucesso por ser pleno fazendo o que ama. Simples? Anos de sacrifícios foram necessários para, hoje, desfrutar de todas as transformações que ocorreram em sua vida através do jiu jitsu. E, como professor, há anos transforma a vida de outras pessoas. Para ele, nada é mais satisfatório do que ver a realização do aluno(a). E é notório o carinho deles pelo professor. Em 2019, ao receber a premiação interna de melhor professor pela segunda vez, foi emblemático vê-lo sendo ovacionado pelos alunos da Alliance São Paulo. 


Helinho com 11 anos sonhou que iria viver de jiu jitsu. Sonhou em estar no mural dos campeões mundiais. Sonhou em trabalhar nas cortinas (aulas particulares) junto com o Fabio Gurgel. E em ser o melhor professor de uma das mais importantes escolas de jiu jitsu do mundo. E, junto com seu irmão gêmeo, foi pioneiro ao tocar uma das primeiras filiais Alliance em São Paulo. Sabemos que na vida nunca estamos sozinhos, com determinação e honestidade, pessoas companheiras se somam em nossa trajetória ou para incentivar ou para fazer com que as coisas aconteçam. E assim foi… vamos, então, contar um pouco como as coisas aconteceram. 


Francielio Costa nasceu em Itu, irmão gêmeo de Franciedson. Tudo começou em 1999. O irmão mais velho havia começado a treinar jiu jitsu e insistiu para que os gêmeos fazerem uma aula. Na época, Helinho era fã do Jean-Claude Van Damme, gostava de porrada, e o jiu jitsu, por ser uma luta agarrada, não chamava a sua atenção. Não quis. Foi para a aula apenas o seu irmão Edson. Após um mês praticando, Edson desafia o Hélio. Como Hélio sempre foi maior, estava confiante. Não contava que o irmão iria levá-lo para o chão e o finalizaria com um arm lock. A partir desse episódio, o jiu jitsu não sairia mais da sua vida. No dia seguinte, foi para a academia onde o Takeyoshi dava aula. Takeyoshi era um aluno faixa roxa do Fabio Gurgel, e estava aprendendo o ofício do professor como instrutor em sua academia. Sua mulher era de Itu e ele decidiu abrir uma academia na cidade. É através desse aluno do Fabio em Itu que a história do Hélio cruza com a história da Alliance. Após um pouco mais de um mês como aluno do Takeyoshi, o Helinho participou de um campeonato. Perdeu na final por uma finalização no triângulo. Ao descer do pódio e ver o professor, disse a ele “eu gostei dessa experiência e é isso o que eu quero para a minha vida”. E, ao chegar em casa, disse a sua mãe que seria professor de jiu jitsu. 


Em um momento, Takeyoshi precisou fechar a sua academia em Itu e retornar para São Paulo. Havia outra academia de jiu jitsu na cidade e o Helinho seguiu os treinos nela. Devido a disciplina e a postura, os professores sempre concederam bolsas para ele treinar jiu jitsu. Nesse período, o irmão, por não gostar do novo professor, deixa o jiu jitsu para treinar karatê, mas o Helinho persiste porque o objetivo dele era voltar a treinar com o Takeyoshi em São Paulo, sonho esse que também era alimentado pelo aluno do Fabio. Com 15 anos, já faixa azul, ele teve a sua primeira responsabilidade como professor. Takeyoshi vai para Itu fundar um projeto social com o jiu jitsu e confia as aulas durante a semana para o Helinho e outro aluno da mesma idade. Aos finais de semana eles encontravam o mestre para aprenderem as posições e preparem as aulas. Esse trabalho durou cerca de 2 anos. Depois, com 18 anos, quando termina o colegial, o Takeyoshi propôs ao Helinho vir para São Paulo trabalhar em sua academia no Morumbi. Assim, ele abriu mão do emprego que tinha pelo Senai com a promessa de que teria uma ajuda de custo, comida e casa na metrópole. O pagamento recebido no final do mês era pouco e, durante 1 ano, a sua casa foi a academia e o seu quarto o vestiário. Em São Paulo, ele cuidou integralmente da academia no Morumbi, foi instrutor nas aulas e cuidava do controle dos alunos no caderninho. Os alunos o incentivaram com a alimentação e custeio dos campeonatos. Isso ocorreu durante a faixa roxa e a marrom, e esse aprendizado foi fundamental para o desafio que estava por vir. 


Helinho nunca contava a sua mãe as dificuldades e apertos que passava em São Paulo. O seu irmão que havia ficado em Itu com uma vida estável, porém infeliz, decidiu seguir os passos do irmão. Largou o emprego na pizzaria e mudou-se para São Paulo. “Perrengue em dois fica mais fácil”. Juntos, eles iniciam uma nova vida em São Paulo e conseguem uma moradia próxima ao Morumbi para conciliarem trabalho e treinamento. O irmão conseguiu um emprego como frentista e o Helinho seguiu com o trabalho na academia do Takeyoshi… e como vendedor de móveis em uma loja que tinha em frente à academia. Se chegava alguém na academia ele fechava a porta da loja de móveis e ia atender o aluno, e vice-e-versa. 


Antes da mudança, com 14 anos de idade, faixa-amarela, Helinho nas férias vinha para São Paulo junto com o Takeyoshi para treinar na academia do Fabio Gurgel. Não havia a divisão das aulas e crianças treinavam com adultos. Desde então, ele passou a ser conhecido na academia como um dos “meninos do Takeyoshi”. Quando vem para São Paulo, definitivamente, porém, ele ainda não consegue treinar regularmente na academia do Fabio Gurgel como sonhava. Agora, vocês se lembram da história do Henrique “Piumhi” que compartilhamos no início do ano (clique aqui para rever essa história)? Ele era o ajudante do Fabio Gurgel nas aulas particulares. Nessa época em que o Helinho estava trabalhando no Morumbi e visitando a academia do Fabio ainda como “menino do Takeyoshi”, o Marcelo Garcia convidou o Henrique para ir para Nova York trabalhar em sua academia como professor. O Henrique prontamente pensou no Helinho para ser seu substituto, pois sabia da situação do colega e da sua vontade de crescer no jiu jitsu. Junto com o ex-professor da Alliance São Paulo Antônio “Batista” Peinado, o indica para o Fabio para substituí-lo nas aulas. Helinho é grato aos dois até hoje por terem dado essa oportunidade a ele.




Na entrevista para ser admitido como ajudante, o Fabio apresentou para o Helinho um outro lado da profissionalização do professor: o alto padrão do atendimento e da aula. As regras, que são seguidas até hoje pelos professores da matriz, foram apresentadas e apreendidas. Pontualidade era a primeira. Todos os dias, saía de casa às 5 horas para estar na academia às 7 horas. Lotação cheia. Vestia o kimono e acompanhava as aulas até às 11h30. A sua primeira aula particular na matriz foi com o André Schiriló, que ele já conhecia da academia do Takeyoshi no Morumbi. A sorte estava ao seu lado. André tinha simpatia por ele e aceitou ajudá-lo manifestando aprovação para o Fabio Gurgel. Assim foi e a contratação ocorreu. Antes, quem havia sido ajudante do Fabio foram Demian Maia, Marcelo Garcia e Henrique “Piumhi”. Helinho seria o quarto a beber direto da fonte todos os dias, por 4 horas. Agora, ele ficaria apenas na matriz. 


Na faixa azul, com 16 anos apenas, assistindo o reconhecimento do Takeyoshi como melhor professor para crianças, Helinho colocou na sua cabeça que um dia também seria o melhor professor da matriz. Outra lembrança que ele guarda é de quando cometeu uma indisciplina ao olhar uma aula particular que ocorria nas cortinas da antiga academia do Fabio. O professor repreendeu-o e o fez pagar flexão. Envergonhado e com raiva por ter cometido um erro, disse a si mesmo que um dia também iria trabalhar nas cortinas. 


Mas a vida do Helinho não era apenas de professor nos primeiros anos na matriz. Todos os dias, às 12 horas, ele ia para a porrada no treino dos competidores e também seguia com o seu cronograma de campeonatos. Nunca se queixou do cansaço. Hoje, ele avalia que não conseguiu alcançar alguns títulos que almejava por não poder estar cem por cento como atleta. O mural dos campeões mundiais também já foi um sonho. Porém, quando recebeu a faixa preta do Fabio Gurgel, ele entendeu que não cabia o sentimento da frustração. A graduação dele e do professor Dimitrius Souza ocorreram no mesmo ano, e, nas falas de entrega do Fabio, ficou claro que há muito tempo ele trilhava a trajetória do professor, comparada a do Dimitrius em que o foco era o atleta, e isso o fez compreender o seu valor. 




A premiação “melhor professor” já havia acontecido duas vezes na academia antes de começarem as premiações com as placas, e Helinho já havia recebido o título. Após a modificação nos critérios das premiações internas, desperta novamente a vontade de receber o título. O primeiro a receber a placa foi o professor Edson (2017). O segundo, o professor Eduardo Miranda (2018), que havia sido premiado anteriormente. E, ano passado (2019) o Helinho é premiado novamente, agora, pelas mãos do Michael Langhi.  De acordo com as palavras do Helinho, essa premiação significa tanto quanto ganhar um mundial. 




Além de professor, Helio comanda sua própria academia Alliance em Perdizes junto com o irmão. Eles foram pioneiros na expansão da equipe por outras filiais. E sempre tiveram as experiências da Alliance São Paulo como modelo para a academia deles. A gestão, as aulas e o relacionamento com os alunos de sua academia são exemplares. Em 2018, foram, por isso, premiados no Summit Alliance como Academia modelo. Helinho tem muito orgulho do título, pois conta que foi extremamente desafiante na época tocar a gestão de uma academia. Não fazia parte dos seus planos ser empresário, mas ele aceitou o desafio quando um amigo o convidou para ser sócio, pensando que seria a oportunidade para melhorar a situação do seu irmão aqui em São Paulo, pois ele mesmo já havia obtido uma carreira estável na Alliance São Paulo. Obcecado pelo seu trabalho, faz juz ao nome da equipe ao performar com excelência também no campo empresarial.


Helinho segue e seguirá compondo o nosso quadro de professores por muitos anos ainda, pois carrega a nossa história e é peça fundamental para o nosso sucesso e para o sucesso de nossos alunos.


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